Quando o percurso de ida e volta até a escola se tornou um obstáculo para o rendimento nos estudos, Leidson Falcão resolveu abandonar tudo. Para chegar à escola, o adolescente de 14 anos precisava encarar uma viagem de 1h30 numa “rabeta”, o meio de transporte usado pelos ribeirinhos no estado do Amazonas.

Adolescente em pé, veste camiseta azul marinho com estampa verde fosforescente. Nos pulsos, um relógio verde e pulseiras artesanais

No Brasil, 1,7 milhão de crianças e adolescentes estavam fora da escola em 2018. No Semiárido e na Amazônia, eram 800 mil. Para rever esse cenário, o Selo UNICEF propõe que os municípios realizem a Busca Ativa Escolar. Ela tem por objetivo apoiar os gestores públicos na identificação, no registro, controle e acompanhamento daqueles que estão fora da escola ou em risco de evasão. Implementar essa estratégia é uma das condições para que o município seja certificado pelo Selo UNICEF.

Nesta edição do Selo UNICEF, 90% dos municípios participantes aderiram à Busca Ativa Escolar, e foram de casa em casa, atrás de cada criança e adolescente que não estava na escola.

Morador de Urucurituba, Leidson foi identificado pelas equipes municipais e matriculado numa escola mais próxima de casa. “A Busca Ativa Escolar localizou meu filho e, nesse ano, ele foi rematriculado. Ele está estudando novamente e teve bastante melhora nos estudos”, diz a mãe de Leidson, Luciane Falcão. 

No município de Benjamin Constant, também no Amazonas, a Busca Ativa Escolar garantiu o direito de estar na escola a centenas de meninos e meninas, Antônia Rodrigues da Silva é secretária de Educação do município e conta que o Busca Ativa Escolar transformou a realidade da gestão pública na área:

“Antes do Busca Ativa, o município não possuía monitoramento e, consequentemente, nenhuma ação para identificar, registrar, controlar e acompanhar crianças e adolescentes fora da escola ou em risco de evasão”, diz.