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Municípios mineiros fortalecem debate sobre equidade étnico-racial durante formação do Selo UNICEF

Minas Gerais recebeu, nos dias 11 e 13 de agosto, o 4º Ciclo de Formação do Selo UNICEF – Edição 2025-2028, dedicado à promoção da equidade étnico-racial nas políticas públicas municipais. Os encontros que aconteceram nas cidades de Montes Claros e Belo Horizonte, reuniu 181 representantes de 74 municípios mineiros participantes da iniciativa e marcou também o encerramento dos ciclos de formação realizados pelo Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC) nos estados da Bahia, Sergipe e Minas Gerais.

Durante a formação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre racismo e suas diferentes manifestações, equidade étnico-racial, direitos dos povos indígenas e das comunidades quilombolas, além da importância da produção e análise de dados para orientar políticas públicas mais inclusivas, assegurando que crianças e adolescentes tenham seus direitos garantidos em condições de equidade.

A promoção da equidade étnico-racial ocupa lugar estratégico nesta edição do Selo UNICEF. Incorporada à metodologia por meio do Resultado Sistêmico 6 (RS6), a agenda busca estimular os municípios a reconhecer e enfrentar desigualdades que atingem especialmente crianças e adolescentes negras, negros, indígenas e quilombolas.

A programação além de promover reflexões sobre o papel das diferentes áreas da gestão municipal na construção de políticas antirracistas, apresentou orientações para o desenvolvimento e acompanhamento das atividades previstas no RS6 da metodologia do Selo UNICEF.

Kennedy Souza, articulador do município de Santa Helena de Minas, avaliou de forma positiva a inclusão do resultado de equidade étnico-racial dentro das agendas do Selo UNICEF para fortalecer políticas públicas voltadas às populações indígenas e quilombolas.

“Trazer a promoção da igualdade racial para as metas e os desafios do Selo UNICEF é muito importante porque faz com que os municípios conheçam, discutam e fortaleçam suas políticas. Na nossa região, no interior de Minas Gerais, temos uma presença muito forte de comunidades indígenas e quilombolas. São realidades que precisam ser reconhecidas e consideradas pelas políticas públicas. Por isso, colocar esse tema em discussão e incentivar as secretarias e os municípios a trabalharem de forma mais efetiva foi muito positivo.”

Kennedy Souza, articulador do município de Santa Helena de Minas/MG


Kennedy também refletiu sobre o impacto e o legado do Selo UNICEF para os municípios, destacando o fortalecimento e a continuidade das ações, de forma que elas permaneçam nos territórios independentemente das mudanças de gestão.

“O maior objetivo não é simplesmente conquistar o Selo UNICEF, mas conseguir implantar políticas públicas que permaneçam no município, independentemente da gestão, do prefeito ou do secretário. O maior legado do Selo é justamente contribuir para fortalecer políticas contínuas e estruturadas, especialmente para crianças e adolescentes. Quando essas políticas se consolidam, a própria população passa a reconhecê-las como um direito e pode cobrar sua continuidade.”

Participando pela primeira vez do Selo UNICEF, o município mineiro de Santa Luzia vem construindo uma nova dinâmica de articulação entre as diferentes áreas da gestão municipal. Para Flávia Paola, gerente de planejamento educacional e mobilizadora de educação, a experiência com a metodologia tem contribuído não apenas para o cumprimento das metas, mas também para aproximar equipes, fortalecer a intersetorialidade e ampliar o diálogo entre as políticas públicas.

“A metodologia do Selo UNICEF foi fundamental para fortalecer a intersetorialidade no município. No início, entender as metas e o papel de cada área foi um desafio, mas, ao longo do processo, passamos a conhecer melhor os atores e a compreender a importância de cada um. Hoje, essa articulação vai além das próprias metas do Selo: aproximou as secretarias, facilitou processos internos e criou novas possibilidades de atuação conjunta. Ainda estamos amadurecendo, mas já conseguimos perceber como essa integração fortalece as políticas públicas do município.”

Flávia Paola, mobilizadora de educação do município de Santa Luzia/MG

Flávia também destacou o quanto o Selo UNICEF tem contribuído para ampliar o debate entre as diferentes secretarias e estimular um olhar mais atento às especificidades dos territórios, especialmente das comunidades quilombolas.

“A questão étnico-racial atravessa as diferentes políticas públicas e as próprias experiências das pessoas. Não dá para pensar educação, saúde ou assistência sem compreender quem é esse público e em qual território ele está inserido. O Selo UNICEF contribui justamente para provocar esse olhar e aproximar as diferentes secretarias. No nosso município, temos comunidades quilombolas e teremos uma unidade escolar dentro de um desses territórios. Não basta apenas construir a escola: é preciso pensar uma proposta pedagógica que reconheça as especificidades daquela comunidade. Nesse sentido, o Selo potencializa essa discussão e nos ajuda a construir políticas públicas mais articuladas e direcionadas às realidades de cada território.”

Adolescentes dos NUCAs de municípios mineiros

O encontro também valorizou a participação dos adolescentes dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), reconhecendo meninas e meninos como agentes fundamentais para a transformação de seus territórios e para a construção de uma sociedade que respeite e valorize diferentes identidades, culturas e histórias.

A realização do encontro em Minas Gerais também representa um momento simbólico para o trabalho desenvolvido pelo Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC) como parceiro implementador do Selo UNICEF.

Com a etapa mineira, o CDJBC conclui o 4º Ciclo de Formações do Selo UNICEF nos três estados sob sua atuação — Bahia, Sergipe e Minas Gerais, fortalecendo uma agenda conjunta de promoção dos direitos de crianças e adolescentes a partir do reconhecimento das diversidades e especificidades de cada território.

Mais do que concluir uma etapa de formação, o encerramento do ciclo reforça o compromisso de transformar os conhecimentos compartilhados nos encontros em políticas públicas, práticas institucionais e ações concretas nos municípios, contribuindo para o enfrentamento ao racismo e para a garantia dos direitos de cada criança e adolescente.

Joilda Aquino, coordenadora do Selo UNICEF/CDJBC


Joilda Aquino, coordenadora do Selo UNICEF, destacou que a conclusão do ciclo representa não apenas o encerramento de uma etapa formativa, mas também a consolidação de um percurso construído junto aos municípios, com o desafio de transformar os aprendizados compartilhados em ações concretas nos territórios.

“Concluir este ciclo de formações é também reconhecer o caminho que construímos junto aos municípios. Cada encontro foi um espaço de aprendizado, troca de experiências e fortalecimento das equipes para que as agendas do Selo UNICEF se traduzam em políticas públicas cada vez mais estruturadas e permanentes. Encerramos uma etapa formativa, mas o trabalho continua nos territórios, com o desafio de transformar todo esse conhecimento em ações concretas que garantam os direitos de cada criança e adolescente.”