Encontros, diálogos, depoimentos e materiais auxiliam municípios pelo autocuidado de meninos e meninas na Amazônia Legal.

Conversar, fazer atividades que despertem sentimentos saudáveis e afetividades estão cada dia mais presentes nos debates que abordam cuidados com a saúde mental. Existente também no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o direito ao pleno desenvolvimento de meninos e meninas está nas programações relacionadas ao Setembro Amarelo.

Andiara Simões tem 17 anos do município de Oriximiná no Pará fala sobre transtorno de ansiedade
Adolescente Andiara

Com o objetivo de despertar a atenção pela prevenção de doenças mentais e suas consequências, como depressão e automutilação, a campanha Setembro Amarelo coloca, na agenda dos municípios no Selo UNICEF, estratégias que priorizam crianças e adolescentes, e também na cabeça da juventude engajada no projeto. Andiara Simões, adolescente de 17 anos, do município de Oriximiná, no Pará, é diagnosticada com transtorno de ansiedade, e relata a importância de superar o tabu que ainda existe sobre a doença.

“Ansiedade pode atingir qualquer ser humano. E falar sobre no Brasil ainda é, infelizmente, um tabu, por que muitas pessoas invalidam esse transtorno. Às classificam como “frescurenta”, ou estão querendo chamar atenção. Eu, como uma pessoa diagnosticada, faço uma súplica, para que deem atenção às pessoas ao seu redor. E não invalidem nunca a dor do outro”, defende a adolescente.

Nayade Duarte, 13 anos é de Lagoa do Mato no Maranhão
Adolescente Nayade Duarte

O relato de Andiara faz parte de um conjunto de ações do Selo UNICEF pela valorização da vida e do autocuidado, alusivas ao Setembro Amarelo. Por meio de vídeos de celular, meninos e meninas que participam dos Núcleos de Mobilização Adolescente (NUCAs ou JUVAs) relatam suas experiências e compartilham mensagens para fortalecer outros adolescentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra que a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas como a ausência de doenças. Bem-estar é o conjunto de práticas e elementos que proporcionam conforto, segurança, tranquilidade e satisfação.

Kayro Gomes, adolescente do JUVA de Tutóia no Maranhão, falou sobre luto
Adolescente Kayro Gomes

Nayade Duarte, 13 anos, é de Lagoa do Mato, no Maranhão, e escolheu falar, por exemplo, sobre bem-estar. “Bem-estar é quando nos sentimos bem com nós mesmos, do jeito que somos. Com qualidades e defeitos”, fala a adolescente em mensagem do seu vídeo, fortalecendo o autocuidado frente as pressões emocionais decorrentes, por exemplo, do isolamento social, o medo da doença e o luto.

Este último presente na vida de milhares frente à pandemia do COVID-19, e também abordado entre os meninos e meninas dos NUCAs e JUVAs no Selo. “Luto é uma palavra tão pequena, mas com grandes significados. Só quem passou, ou está passando, por esse período tão difícil da vida, sabe o quanto é doloroso perder alguém”, afirma em seu vídeo o adolescente Kayro Gomes, de Tutóia, no Maranhão.

borba setembro amarelo
Setembro Amarelo em Borba, no Amazonas

Ações municipais -  O Setembro Amarelo integra as programações nos municípios que participam do Selo, e o registro das atividades puderam fazem parte também do Resultado Sistêmico 16, que pedia ações de valorização e proteção da vida e contra a violência. Mesmo com o fim das comprovações das atividades, as Comissões Inter setoriais dos municípios realizaram atividades, também preocupados com as possíveis consequências da pandemia, na saúde mental de meninos e meninas.

“Falar de saúde mental é mais urgente que nunca. A conscientização é essencial para reduzir os índices de suicídio no país. Na normalidade, os desafios da vida já são fortes. Porém, com as restrições impostas pela pandemia, as pessoas se veem frente a questões ainda mais densas, em praticamente todas as áreas”, traz a mensagem da campanha do NUCA de Humaitá, no Amazonas, compartilhada nos grupos de WhatsApp.

NUCA de Uiramutã
NUCA de Uiramutâ

 

Em Borba, também no Amazonas, o município realizou panfletagem no último dia 18 de setembro, e distribuição de laços amarelos no centro da cidade, nos estabelecimentos comerciais e para os moradores. E no dia 24, as Secretarias Municipais de Saúde, Educação e Assistência Social e o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes de Uiramutã realizaram passeata e panfletagem com orientações e informações voltadas para os possíveis casos de depressão e suicídios, referentes à saúde mental, envolvendo também as comunidades tradicionais.

 

UNICEF – O Fundo das Nações Unidas pela Infância, no Brasil, realiza encontros sobre o tema da saúde mental, desde o início da pandemia do COVID-19. Além disso, disponibiliza alguns materiais para que possam ser usados pelos municípios do Selo UNICEF. Um deles é a cartilha “Menstruação na pandemia e outras coisinhas +”, para meninas, que pode ser acessada e baixada no site oficial do UNICEF.

Acesse o webinar sobre saúde mental pensado para meninas adolescentes AQUIcartilha meninas

Confira como foi a conversa sobre estratégias para adolescentes lidarem com saúde mental na quarentena AQUI

Confira como adolescentes podem proteger sua saúde mental em tempos de #coronavírus? AQUI

A cartilha Menstruação na pandemia e outras coisinhas + AQUI

A playlist com os vídeos-depoimentos dos adolescentes dos NUCAs e JUVAs da Amazônia Legal, sobre saúde mental AQUI

 

Texto: Luciana Kellen (Instituto Peabirú)