Caravanas de gestores municipais se deslocaram por todo o Semiárido nordestino, entre o último mês de outubro e este novembro, para participar das formações do Selo UNICEF. Chegando ao 5º Ciclo de Capacitação desta edição (2017-2020), a maior parte dos participantes já esperava a troca de experiência, o conhecimento compartilhado e o material de apoio disponibilizado pelo UNICEF a partir de publicações, cartazes e encartes. Mas as risadas e a participação entusiasmada para discutir gargalos e soluções para melhorar as condições de saúde para crianças e adolescentes foram os destaques em muitos polos regionais. 

Seguindo a agenda programada para a capacitação, os participantes se dividiam em quatro grupos para analisar estudos de caso, retratados em forma de história, relacionados aos resultados sistêmicos (RS) da metodologia do Selo UNICEF. Os casos traziam personagens que enfrentaram vários desafios para a melhoria do estado nutricional (RS 4), o acesso ao pré-natal de qualidade (RS 5), acesso aos serviços de saúde e direitos sexuais e reprodutivos para os adolescentes (RS 6 e 7) e valorização da primeira infância (RS 10).

Apresentação de telejornal aborda temas do encontro do Selo UNICEF
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A imaginação rolou solta e os grupos criaram encenações teatrais, programas de rádio e de televisão, cordel, poemas a até toadas. O tom de brincadeira, no entanto, mudava na hora de identificar as falhas e as possíveis melhorias nas políticas públicas na área de saúde para meninas e meninos. A assistente social Margarete Medeiros, que atua como gerente de proteção básica no município de Várzea, na Paraíba, interpretou uma gestante que descobriu que tinha sífilis apenas no quarto mês de gestação e, mesmo indo do posto de saúde ao hospital, não conseguiu o tratamento. 

“A gente trouxe o caso com humor. Mas é muito triste, pois a gente sabe que acontece bastante por aí afora. As gestantes encontram dificuldades de locomoção, os agentes de saúde também. Mas precisamos chegar e garantir o cuidado”.  

O bebê nasceu com sífilis congênita e foi batizado de reagente em uma ironia e bom humor do grupo em relação a falta de compromisso com que a paciente foi orientada, após o teste rápido. A encenação do grupo, no polo de Pombal (PB), arrancou risadas da plateia. Margarete destacou que o uso da ludicidade enriqueceu bastante a capacitação. “Quando é só explanação fica cansativo. Assim, conseguimos sensibilizar e pensar juntos em soluções”, reforçou.

A articuladora de Amarante, no Piauí, Maria Arlenilsa Duarte, fez uma poesia sobre o Selo UNICEF, valorizando a intersetorialidade de todas as áreas. “Ao longo do dia fui vendo as experiências, os aprendizados. Sou muito grata por ser articuladora do meu município, mudou minha forma de ver as coisas, as políticas públicas. Depois de tanta arte, também quis expressar isso em poesia”, disse. Em Teresina, no Piauí, um grupo construiu até uma câmera de papelão e marca para o jornal, que abordou o tema da alimentação saudável em uma entrevista. “As brincadeiras servem para chamar a atenção, manter o interesse no conteúdo. Pode até parecer engraçado, mas a gente sabe que é verdade”, opinou Kaliny Tavares, articuladora do município de Teotônio Vilela, no Piauí. 

Selo UNICEF - Nos últimos três meses, os encontros de capacitação aconteceram em 38 polos regionais, reunindo gestores e técnicos de 1924 municípios inscritos no Selo UNICEF de 18 estados do Semiárido e da Amazônia. Os municípios participantes da iniciativa assumiram, junto ao UNICEF, o compromisso de implementar políticas públicas para redução das desigualdades e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes previstos na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A experiência com as edições anteriores comprova que os municípios certificados avançam mais na melhoria dos indicadores sociais do que outros municípios de características socioeconômicas e demográficas semelhantes que não foram certificados ou participaram da iniciativa. Para mais informações sobre o Selo UNICEF, clique aqui.     

Sobre o UNICEF 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Com seus parceiros, trabalha em 190 países e territórios para transformar esse compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente seus esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas. Visite www.unicef.org.br

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